sábado, 20 de junho de 2015

Pós-doutorado no Exterior - Bolsas CAPES e CNPq


CAPES e CNPq são as duas principais agências de fomento à pesquisa e pós-graduação do país. Ambas são do governo federal, mas existem agências estaduais (como a FAPESP) e outras privadas que oferecem também bolsas de estudo. Primeiramente, mais do que qualquer coisa, devo dizer: leia os editais! É, isso mesmo, leia uma, duas, três, quatro... “trocentas” vezes, leia quantas vezes for necessário. Uma coisa que percebi nas minhas andanças pelos sites é que as dúvidas mais comuns giravam em torno de coisas que seriam facilmente respondidas se os editais fossem lidos com cuidado (ééé, isso mesmo! Leia!) ou de questões relacionadas a elaboração mais específica do projeto. Bom, basicamente, para as duas agências, você vai precisar de um projeto, de uma comprovação de que foi previamente aceito pelo orientador no exterior (carta-convite ou e-mails trocados que mostrem interesse), de uma comprovação que está concluindo o doutorado (no caso da CAPES, precisa da ata de defesa ou diploma), de uma declaração do orientador de que o seu conhecimento na língua é suficiente e currículos (seu e do orientador).  O projeto no CNPq não tem normas explícitas, mas a CAPES pede: Projeto de Pesquisa em Português, com um máximo de 15 páginas, fonte modelo Times New Roman 12, espaço 1,5 entre linhas, contendo, como referência: 1) Título; 2) Resumo; 3) Introdução e Justificativa; 4) Objetivos com definição e delimitação do objeto de estudo; 5) Metodologia; 6) Relevância da realização da pesquisa no exterior; 7) Plano de atividades; 8) Cronograma de execução; 9) Referências Bibliográficas. A quem pretende submeter nas duas agências, recomendo fazer logo nas normas da CAPES. Se o seu projeto for em “área prioritária”, submeta através do “Ciências sem Fronteiras (CsF)”. Como não era meu caso, submeti de forma individual para ambas instituições. Os títulos das seções recomendados pela CAPES me parecem auto-explicativos; minha recomendação é deixar bem claro, gritante e bem argumentado o porquê de você querer fazer o tal Pós-doutorado fora do país – no meu caso, foquei na importância do grupo de pesquisa parisiense na minha área específica e nos impactos que minha inserção lá geraria no Brasil (no caso, meu trabalho por aqui). Vi muitos indeferimentos por questões de currículo (meu maior medo!) e também por constatação dos avaliadores que a pessoa poderia desenvolver o projeto no Brasil (então, precisa convencer o avaliador que só no exterior você conseguirá cumprir bem os seus objetivos).

Como é possível observar no site de ambas as agências, existem cronogramas anuais regulares (3 chamadas do CNPq e 2 chamadas da CAPES) e você deve submeter na chamada correspondente ao mês que pretende iniciar o pós. Para iniciar em agosto de 2015 eu precisava submeter a proposta no final de 2014 e teria a resposta em abril/maio sobre a concessão (ou não). Importante lembrar que a CAPES exige que o candidato já tenha concluído o doutorado para submeter proposta; O CNPq, por sua vez, permite que ele submeta sem ter defendido, mas a bolsa só será implementada quando ele comprovar a defesa, claro! Dia 30 de outubro de 2014 eu submeti as propostas e iniciou-se a longa espera. No Brasil o ano de 2015 inicia aos trancos e barrancos, orçamento menor, atrasos e mais atrasos de repasse de recursos, comecei a me preocupar em excesso. Estava vivenciando de perto os impactos orçamentários nos projetos institucionais, vi que a bolsa poderia não rolar, fiquei super preocupada porque já tinha investido muito esforço, dinheiro, neste projeto. Por isso, com o apoio da família, decidi pedir auxílio a uma prima minha que mora em Paris, ela permitiu que eu dividisse apartamento com ela e, assim, decidi que iria mesmo sem bolsa, apenas com o salário de servidora pública que, convertido em euros, vira muito pouco...mas o sonho era maior! Fiz as contas e vi que daria para pagar as contas principais; não teria luxo nem poderia passear, mas estava muito disposta a fazer isso. Mudei para a casa dos meus pais, para deixar de pagar aluguel e conter os gastos (gratidão!), em abril de 2015, com o firme propósito de sair em agosto.

Enquanto isso o CNPq mantinha no site “processo em análise pelo CNPq” e você não sabe de nada do processo. Eles não enviam e-mail, você apenas aguarda. O resultado estava previsto para sair dia 15 de abril de 2015 e foi adiado para o dia 30 de abril de 2015. Eu vivia ansiosa, entrava no site todos os dias, e dia 30 (ironicamente, no meu aniversário!) recebi a notícia que não teria bolsa do CNPq. Segundo eles, o projeto tinha mérito, mas eu não tinha sido classificada na quantidade de bolsas que eles liberaram. Apenas 03 bolsas para o Brasil inteiro (na área de Psicologia), cujos contemplados eram doutores há mais de 10 anos, um deles com dois pós-doutorados, e eu fiquei pequena diante disso. Chorei. Recebi um abraço carinhoso do meu pai durante o choro. Ele me dizia com o abraço que ia dar certo, que eu não precisava me preocupar... Eu pedi reconsideração do CNPq, mas ainda não tenho notícias sobre isso, apesar de achar que não vai dar em nada, visto que o problema não estava no projeto, mas na falta de dinheiro. Eu já imaginava. O CNPq estava dando prioridade às “áreas prioritárias” do Ciências sem Fronteiras (CsF), Psicologia não faz parte da lista e, por isso, são concedidas tão poucas bolsas. Bom, o resultado não me fez duvidar da minha capacidade, entendi que não foi falta de mérito, fiquei triste, claro, mas logo superei pensando que por mais difícil que fosse, era algo que eu desejava muito e iria fazer funcionar.

A CAPES, por sua vez, tem um acompanhamento do processo que permite saber ao menos a etapa em que o projeto se encontra. Inicialmente dizia “processo recebido. Aguarde comunicação da CAPES”; depois foi “Processo em análise de mérito. Aguarde comunicação da CAPES”; e em abril de 2015 ele mudou para “Processo aguardando parecer final da CAPES. Aguarde comunicação”. Ele passou na análise de mérito e agora poderia ser deferido ou não, o que iria depender da classificação, orçamento... Tentava decifrar o que a frase queria dizer, mas não tinha o que fazer, o negócio era esperar porque não havia indicação nenhuma do resultado. O resultado estava previsto para a primeira quinzena de maio de 2015 e eu estava ansiosa, pouco confiante, mas feliz porque imaginava que a CAPES não iria atrasar o resultado e em duas semanas eu saberia se ia apenas com meu salário ou com bolsa para Paris. Viver de pão ou de vinho. Passear nos parques gratuitos ou passear pela Europa. Comer no bandejão da universidade ou na Champs-Elysées (hahaha :P). As duas opções pareciam-me igualmente fascinantes. Aguardei e dia 15 de maio adiaram o resultado para “junho”. Pronto, o pânico se instalou. Foi o mês mais longo dos últimos tempos, eu estava cada dia mais preocupada, euro subindo e meu salário valendo menos, liguei inúmeras vezes para capes, enviei e-mails, e todos pediam paciência, diziam estar aguardando as decisões orçamentárias. Fiquei estressada de verdade, muito ansiosa...

Somente no dia 18 de junho de 2015 saiu a lista dos aprovados e eu consegui! (beijo, capes :*)Dessa vez o choro foi de alívio... O status agora é: “Aguardando parecer da CAPES. Aguarde comunicação da CAPES”, e logo deve ir para “Processo deferido”. Depois da lista, a gente aguarda o e-mail de deferimento do processo. Neste meio tempo, enviei um documento de “confirmação de interesse” na bolsa de estudos, através do “Envio de documentos complementares”. Depois falo um pouco sobre o processo de implementação e o tempo de espera para começar a receber.

Lição número 3: áreas não prioritárias têm mais chances pela CAPES.


Ah, o pessoal do grupo do facebook "CAPES - Doutorado pleno no exterior 2015/1" fez um pequeno estudo empírico, nada científico, sobre os status da CAPES. Para quem está na agonia pode aumentar mais ainda ou se sentir confortado pelo fato de que ninguém sabe de nada. Na minha vivência o tal gráfico deu certo, rsrs, mas sei lá, dizem por aí que os técnicos possuem um prazer sádico em mudar status só para gerar essas discussões em candidatos ansiosos e que não leva a lugar nenhum. A título de curiosidade, segue a análise:

8 comentários:

  1. Suas recomendações são muito valiosas!

    Gostaria de saber se um processo pos-doc que está em fase de priorização pela CAPES, quer dizer exatamente o quê? Você poderia me ajudar?

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    1. Monica, infelizmente não sei te responder! Acredito que eles devem estar avaliando a questão orçamentária, ou seja, priorizando dentre os projetos aprovados aqueles que terão verbas (provavelmente, dentro de uma lista de ordem de notas das avaliações feitas). O período não é bom para pedido de bolsas, mas espero que seja contemplada!

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  2. Obrigada pela resposta. Gosto do seu blog! E como você já passou por essa aflição que é acompanhar o status de andamento da bolsa pós-doc CAPES (nas suas palavras, senti cada minutinho da sua angústia), por isso, creio que você tenha experiência maior que a minha com os termos, uma vez que essa é a primeira vez que estou submetendo um projeto, e como você falou o período é o pior possível para pedido de bolsa devido ao caos político/econômico ao qual nos encontramos. Mas como o projeto já passou pelo mérito, já me sinto uma vencedora!!! (pois acredito que o mérito é uma etapa crucial e sem volta, pois ou tem ou não se tem mérito!!! Você pode até entrar com recurso, mas na minha opinião, acredito que essa etapa é a mais difícil de ser ultrapassada). E eles retificaram o edital, dizendo que não levariam em consideração a questão orçamentária, e sim o fato de ter havido mais inscritos no processo seletivo que a quantidade de bolsas ofertadas. Enfim, na luta por dias melhores pela ciência brasileira, espero que eu tenha sorte (sim sorte, pois não sei como se dá o processo de priorização) e consiga ser contemplada!!!

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    1. Espero que tenha dado tudo certo! Abraços!

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  3. Olá. Você poderia me dizer quando submeteu a candidatura à bolsa da Capes, depois da análise de mérito para que fase passou a tua candidatura? Tinha algum parecer?
    Obrigada pela atenção.

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    1. O parecer que eles deram foi apenas de deferimento ou indeferimento. Como a bolsa foi liberada, não sei se eles enviaram parecer justificando para aqueles que não foram contemplados. O CNPq me enviou, justificando a questão orçamentária, que eu tinha sido classificada, mas que minha classificação não estava dentro da cota de bolsas. É isso. Depois do mérito, você é contemplado ou não, e depois seguem os trâmites para a implantação. Abraços e boa sorte!

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  4. Obrigada pela informação e pela atenção! Tudo de bom!

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  5. Olá! Você poderia enviar o seu modelo de projeto? Estou pretendendo submeter uma proposta, mas como não informação nenhuma sobre o modelo de projeto estou procurando alguma coisa para me nortear. Obrigado. email: alexandremfranca@gmail.com

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