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sábado, 12 de setembro de 2015

Curso de francês na Sorbonne

Antes de vir eu tinha a intenção de fazer um curso de francês por aqui. Tinha pesquisado a Aliança Francesa e o curso famoso da Sorbonne. Por conta da carga horária mais pesada, com cursos de no mínimo 12h semanais, tinha descartado a Sorbonne e ia fazer um curso extensivo na Aliança, mas, com menos horas semanais. Cheguei até a entrar em contato com eles, já estava quase certa. Entretanto, quando cheguei aqui, minha prima disse que o curso da Aliança era muito fraco, que era melhor a Sorbonne, que ela tinha feito os dois. Decidi, então, fazer um curso de verão, por um mês, com 10 horas semanais de gramática e 5h de fonética durante três semanas (630€), antes das minhas aulas iniciarem efetivamente.

Já frequentei duas semanas do curso e vou dizer o que eu senti sobre ele:

CONTRAS:
  • Achei o horário péssimo, porque eu tenho 3h de aula por dia num horário que me faz perder meu dia. Das 10h às 11h tenho aula de Fonética e das 11h às 13h tenho a aula de gramática. Chego em casa em torno de 13h30, almoço e em torno de 14h vou fazer o que preciso fazer. Acontece que às 16h preciso sair para pegar Liv na escola e, sendo assim, acabo tendo pouco tempo útil para estudar e fazer as coisas de casa, organizar a vida. E as aulas são todos os dias, né? Complica bastante para quem tem mais afazeres. Mas, isso é muito pessoal, próprio da minha rotina, não é aplicável a todos. 
  • As aulas não focam muito na parte da expressão oral e isso me incomoda. Acho que o nosso principal problema quando chegamos - para quem já tem um certo nível de francês - é aliar a nossa expressão oral com os conhecimentos gramaticais. Não sei se isso é próprio da professora que pegamos, mas sinto falta de falar - ou tentar falar - mais. Esses dias ela pediu que apresentássemos um texto, o autor, mas acabou falando mais do que a gente, não nos dava muito espaço para refletir e tentarmos nos expressar.
  • A aula de fonética tem uma parte que trabalha com repetição de frases, que exigem a sua compreensão e a pronúncia adequada. Até aí, tudo bem. Mas eu tenho um problema de memória, hahaha, e isso me dá muita raiva! Porque a professora fala a frase, eu entendo o que ela disse, mas já esqueço as palavras exatas que ela usou para poder repetir. 
  • O sotaque da galera e a dificuldade de expressão dos colegas às vezes incomoda, parece que me faz regredir um pouco.

PRÓS:
  • Eu sou bem do tipo nerd e as aulas de fonética são fantásticas porque a professora explica tudo teoricamente, como se pronuncia, o porquê, posicionamento da língua, lábios, abertura da boca...isso é bem bacana!
  • A parte da repetição das frases, apesar do contra que citei, é interessante porque mostra exatamente onde a gente erra. A gente escuta o professor e nos escuta, fazendo com que aos poucos possamos ir nos aproximando da pronúncia mais correta. E dá um nó no juízo e não é fácil.
  • Os professores são muito capacitados, são pessoas experientes, com conhecimento geral a oferecer e isso é muito bom quando estamos chegando em um país.
  • O teste de nível é bem real porque na minha sala a variação de conhecimentos é pequena. Isso é ruim por um lado, porque penso que os desníveis podem ajudar a puxar a aprendizagem, mas os que existem são bacanas. Todos os alunos são adultos, dedicados, peguei uma turma muito boa, estudiosa.
  • As turmas são pequenas, dá pra trabalhar bem, todos são chamados a participar, o que é muito bom.
  • As aulas, só por serem totalmente em francês, já ajudam. São 3h ouvindo franceses dando aula, alguma coisa sai daí! É um baita progresso entender a aula toda sem se perder. Tô bem satisfeita!
No geral, eu recomendo o curso. Acho corrido, mas se eu pudesse passar uma temporada mais longa estudando exclusivamente francês, faria um curso de 4 meses com 15-20 horas semanais. Quem puder fazer, faça!

Para saber mais:

Depois, pretendo praticar conversação um grupo chamado L'Arc, que você paga 10€ por ano e conversar com franceses voluntários, que corrigem suas falas. Geralmente pessoas aposentadas, deve ser bacana! As inscrições ainda não começaram, mas vou fazer. Depois conto como foi. Essa dica foi de um amigo! Informações: http://www.arc-cercle-international.com/

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Primeiros dias na escola

A "rentrée scolaire" aconteceu no dia 02 de setembro, uma quarta-feira. Bom, não sei se tinha dito antes, mas nas quartas as crianças só tem aula de manhã. De qualquer forma, o diretor havia me dito que nos primeiros dias era melhor deixar a criança apenas de manhã e avaliar a adaptação de cada uma. Ele nos disse que a gente deveria deixar a Liv as 8h50 e tínhamos até às 9h para nos despedirmos, ficar com ela e falar com a professora. Uau, 10 minutos, hein? Pois bem, na quarta-feira chegamos umas 8h45 e tivemos que ficar esperando abrirem a porta, hahaha, porque ela só se abre efetivamente às 8h50. 

Às 8h50 entramos, falei com a professora, expliquei que Liv não falava francês, mas ela disse que não tinha problema. Liv me deu tchau bem de boa, ao passo que outras crianças choravam, estavam agarradas nos pais. Acho que isso aconteceu porque ela já tinha vivenciado escola antes, enquanto a maioria das crianças lá está entrando pela primeira vez. Voilà, ponto para mim! :P Na saída ainda falei rapidinho com a assistente de sala, preocupada com as idas ao banheiro e a língua, mas ela disse que eles incentivam a ir de tempo em tempo e que eu não me preocupasse que qualquer coisa elas gesticulavam e se entendiam, rsrs. E eu saí chorando da escola, com o coração apertadinho, um medo imenso dela não dar conta...mas, minha pequena-adulta, super corajosa e desenrolada ficou super bem. Contou-me que cantou, gritou com um menino, ouviu historinha sobre um chien, parece que tudo foi bem tranquilo.

No outro dia ela já acordou menos preguiçosa e tudo correu bem também. A professora disse que ela estava bem, que não tinha nada para dizer, que não teve nenhum acidente de pipi, tudo uma maravilha! Por isso, a partir da próxima semana já vamos testar o período integral. Dia 11 teremos uma reunião de pais, eles vão nos passar o programa, agora é pra valer! A professora dela é uma pessoa acessível, tranquila, mas pareceu mais séria; já a assistente de sala é super sorridente, simpática, carinhosa...minha filha está em boas mãos :)

Coisas a se notar:

1) Eles entram às 9h e não tem lanche antes do almoço. Eu, preocupada que sou, coloquei uns biscoitos dentro da bolsa e disse pra Liv que se desse fome ela fosse comer. Ela reclamou que não pôde comer, que a professora disse que não podia e tal. Eu já sabia disso, mas sou mãe né, dá sempre um medinho da cria passar fome.

2) A Liv parece entender algumas coisas em francês. Ela se diverte quando converso com ela em francês e inventou um dialeto que ela pensa que é francês, que todos entendem, e tenta se comunicar assim. É engraçadinho e eu não tolho, porque isso a estimula a tentar. Já percebo que no meio das enrolações saem algumas palavras que existem, hahaha, e isso não parece ser um problema para ela. 

3) Foi boa a ideia de ler em francês, de mostrar musiquinhas do folclore local durante um tempo antes de vir, pois ela identificou uma música no primeiro dia de aula. Disse para mim que era uma música que a gente já tinha escutado e cantou. Era a famosa "Frère Jacques".

4) Tem muitos papeis para preencher. Eles entregam um caderninho com informações iniciais, tipo a agenda que a gente usa no Brasil, e a gente precisa ler e assinar. Dentre esses documentos tem uma paranoia mucho loka com a saúde. Pedem autorização para transferir com ambulância em caso de necessidade, pra fazer intervenção cirúrgica em caso de urgência, esse tipo de coisa. Mas isso não é novidade, os franceses adoram preencher papeis. E enviar papeis. E pedir papeis.

5) A mochila fica na escola. Só volta para casa em caso de acidentes de pipi. Não sei se isso é uma regra geral, mas acho que vou precisar trocar as roupas que deixei lá porque o frio está chegando... 

Prossigamos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Primeiras impressões

Algumas pessoas me perguntaram algumas impressões iniciais, mas, como não é a nossa primeira vez na cidade, já conhecia algumas coisas. De qualquer forma, seguem algumas coisas interessantes, diferentes, ou apenas dignas de se notar.

1) quando iniciei o processo para fazer o pós-doc todo mundo falava no meu dossiê. Eu precisava ter um. No meu mundinho de Bob eu ficava imaginando uma investigação aprofundada, quase uma investigação policial, porque não costumamos usar esse termo no Brasil, né? Pois bem, um dossiê é apenas a junção dos seus documentos. Se for alugar um apartamento, precisa de um "dossiê" com contracheque, fiador, por exemplo. Se for fazer um pós-doutorado, seu dossiê precisa conter currículo, projeto de pesquisa, cartas de recomendação...

2) Aqui os carros estacionam metade na rua, metade na calçada. Ok, fazemos isso no Brasil também. A diferença é que aqui é permitido e, inclusive, as linhas do estacionamento são pintadas parte na rua, parte na calçada.

3) Existem muitos parquinhos pela cidade. MUITOS mesmo. Todos adaptados para idade, com chão emborrachado (ou areia, por exemplo), bem cuidados, feitos de modo que as crianças não se machuquem.

4) As crianças brincam muito nos parques. Adolescentes também. Vi várias meninas e meninos, de 14-15 anos, brincando de pega-pega. Há tempo que não via isso!

5) Muitos pais levam seus filhos ao parquinho ou simplesmente saem com eles. A mãe não é a única figura na pracinha.

6) Tem criança mal educada em todo canto. E, sim, elas também "fazem manha".

7) Tudo precisa de um rendez-vous [reunião com hora marcada]. Não adianta aparecer no banco sem marcar um. Nem adianta ir falar com seu professor sem ter marcado. A primeira pergunta que vão fazer é se você tem um. E, quando não precisa marcar hora, faz parte da propaganda: "sans rendez-vous!" como se fosse algo excepcional.

8) Segundas-feiras as coisas fecham. Não me perguntem o porquê.

9) Férias são férias. Então, se os funcionários de uma farmácia estão em férias, eles simplesmente fecham as portas e deixam um aviso dizendo que estão em férias e que voltam a abrir no dia tal. Mesma coisa para hora do almoço. Fechou está fechado, nada de "mais um minutinho".

10) Verão é algo fantástico. Todo mundo está em férias, todo mundo está viajando, vários estabelecimentos estarão fechados por isso.

11) Nada abre antes das 9h. E tudo fecha ao meio-dia. Ou perto disso. [sim, isso é uma generalização!]

12) As pessoas fazem compras na velocidade da luz. Não consegui entender ainda como eles conseguem guardar todas as compras e pagar tudo tão rápido! Desconfio que eles jogam tudo dentro do carrinho, misturando sabão com comida e amassando as frutas e legumes, ou quebrando alguns ovos.

13) O pão é um objeto. A baguete é imensa e o pacote apenas cobre metade dela. Ninguém se importa em andar com elas expostas dentro do metrô ou embaixo do braço.

14) Aqui também tem suvaqueira no transporte público.

15) Mesmo num calor de 30 graus nem todos os estabelecimentos têm (ou ligam) o ar-condicionado. O ônibus que andamos tinha apenas uma aberturinha lá em cima, nada de amplas janelas. E ninguém reclama muito do calor.

16) Ainda sobre o calor...mesmo o sol rachando, as pessoas ficam embaixo do sol. Elas optam (mesmo, não é por falta de mesa) por sentar em mesas que estão no sol em um restaurante. Ao meio-dia.

17) O sol daqui não queima. Criamos algumas hipóteses, mas ainda não sei exatamente o que acontece. Só sei que se eu tomasse na PB a mesma quantidade de sol que tomei aqui, nos mesmos horários, teria ficado, no mínimo, vermelha.

18) Mesmo para eles eu sou muito branca! hahahahaha

19) A gente aprende a pedir licença dizendo "excusez-moi", mas eles usam mesmo é o "pardon".

20) O transporte público é maravilhoso e todo mundo usa, mesmo cheios de malas gigantes. Táxi não é um item muito valorizado.

21) Usa-se muito o carrinho para carregar crianças, mesmo que elas tenham 5 anos. Se não tá no carrinho, tá numa bicicleta ou numa patinete.

22) As poucas piadas que fizeram comigo ou não entendi ou achei muito sem graça :P

23) Tem muita gente de outros lugares. Muitas mesmo. E, nem todo mundo gosta disso.

24) E, por fim, o ponto que pode ser mais controverso disso tudo. Percebi que os negros aqui não baixam a cabeça - apesar de sofrerem muito preconceito - e valorizam demais as suas raízes. Acredito que isso faz com que muitos deles estejam sempre na defensiva - especialmente se uma branca (euzinha!) vai falar com eles - e, por este mesmo motivo, são taxados de mal educados. Em geral, sempre que notaram que eu era estrangeira, baixaram a guarda. Ainda não sei se a encrenca com eles é mais xenofobia ou racismo mesmo. Cenas para os próximos capítulos.

É isso.
A bizarrice dos carros na calçada
 *** Atualização:

25) As pessoas aqui fumam muito e tomam muito café. E não tem isso de deixar de fumar porque tem uma criança perto, só deixam de fumar em lugares que é expressamente proibido.